O poder do hábito: por que começar simples funciona melhor?
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- 16 de jan.
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Publicado no site bodytech, 16.01.16 Por: Fabyene Melo - Equipe Bodytech

Às vezes, acreditamos que, para mudar hábitos, é preciso transformar tudo de uma vez. Especialmente na sociedade atual, em que tudo acontece rápido e somos levados a acreditar que esse é o único caminho para agir, evoluir ou mudar.
No entanto, começar pelo simples, avançar devagar e manter a consistência costuma ser a escolha mais eficaz. Para aprofundar esse tema, conversamos com a psicóloga, psicodramatista e terapeuta familiar, Marina Vasconcellos, que explica como acontecem as mudanças de hábitos e quais são seus impactos.
Mudar de hábitos de forma gradual é melhor
Primeiro, é importante destacar que mudar de hábito está muito mais relacionado à constância do que à motivação. Charles Duhigg, no livro O Poder do Hábito, reforça essa ideia ao afirmar que “a mudança pode não ser rápida. Mas com tempo e esforço, qualquer hábito pode ser remodelado”. Ou seja, transformar um ato, uma intenção ou uma rotina depende diretamente da persistência e da dedicação contínua direcionadas a esse processo.
A psicóloga, Marina Vasconcellos, também alerta que tentar mudar tudo ao mesmo tempo tende a gerar mais esforço e exigir atenção excessiva. Isso acontece porque cada mudança demanda foco em detalhes específicos, o que pode se tornar desgastante quando feito de forma simultânea. “É melhor uma de cada vez, para você se esforçar e se dedicar à mudança, com tudo o que ela inclui”, explica.
Dessa forma, o caminho mais eficaz é começar pelo simples. Pelo que exige menos esforço. “O simples vai se incorporando à rotina. Você aprende, se familiariza e, aos poucos, pode avançar, introduzindo novas escolhas e mudanças”, comenta a especialista. Ela ainda reforça que o essencial é não tentar mudar tudo de uma vez. “Excesso de sobrecarrega desestimula, porque quando muitas transformações acontecem ao mesmo tempo, a frustração surge”.
Além disso, quando as conquistas dessas pequenas mudanças se tornam perceptíveis, surgem sentimentos de satisfação, felicidade e realização, que funcionam como um importante estímulo para continuar. “Você se apoia na própria conquista. Amanhã faz de novo. Ou um pouco mais, porque já entendeu que consegue, que pode, que é capaz”, explica Marina. Essas pequenas vitórias alimentam a motivação e fortalecem o processo de mudança.
Principais erros cometidos na hora de mudar um hábito
Um dos primeiros erros é acreditar que todas as pessoas passam por esse processo da mesma forma e no mesmo ritmo. “Muito se fala em prazos, como a ideia dos 21 dias para mudar um hábito, mas a verdade é que não existe uma regra. Cada pessoa é única. Por isso, não há uma data exata ou um tempo fixo para construir um novo hábito”, salienta Marina Vasconcellos.
Outro equívoco bastante comum é tentar promover uma mudança radical de comportamento, exigindo transformações para as quais ainda não se está preparado. Esse tipo de abordagem costuma demandar um esforço muito maior do que o imaginado. “Muitas vezes, não se calcula o que será necessário, o nível de dificuldade, o desgaste envolvido e os sacrifícios que essa mudança vai exigir. A expectativa é de que seja fácil, mas não é. Dessa forma, a desistência aparece no meio do caminho”, relata a profissional.
Diante disso, torna-se fundamental ter clareza sobre o que se deseja mudar, como essa decisão impacta a rotina e quais serão as consequências da adoção de um novo hábito. Sem essa compreensão, a frustração tende a aparecer, o impacto da mudança se torna maior do que o esperado e a probabilidade de abandonar o processo antes de alcançar resultados aumenta.
Como começar a mudança de hábito?
Para iniciar algo saudável hoje, é fundamental compreender o impacto que essa escolha terá na sua vida. Antes de colocar em prática, vale se fazer algumas perguntas essenciais, como:
Para que você está fazendo isso?
Qual é o ganho?
Que benefícios essa decisão traz para você e para as pessoas ao seu redor?
A psicóloga explica que ter clareza de propósito, desejo e intenção é indispensável para que a mudança se sustente ao longo do tempo. “Quando a motivação vem apenas dos outros, ela não dura. Por isso, entenda o que essa escolha significa para você. Comece devagar. Observe o que é possível agora, reconheça seus limites e avalie se essa mudança está dentro da sua capacidade”.
Todo processo de mudança de rotina precisa ser construído de forma gradual. “Vai exigir esforço, sim, mas não pode ser excessivamente penoso. Precisa estar na medida certa, para que você consiga seguir em frente e não desista no meio do caminho”, finaliza Vasconcellos.
Então, agora que você já entende como a mudança de hábito pode impactar a sua vida, comece aos poucos, com intenção e consistência, e perceba como esse processo pode ser mais leve do que parece.



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