AborrescĂȘnciaâ existe? Como lidar?
- Imprensa
- 22 de dez. de 2022
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Publicado em Boa Forma/EquilĂbrio, 22.12.22

(Kindel Media/Pexels)
Leia mais em: https://boaforma.abril.com.br/coluna/boa-forma-responde/aborrescencia-existe-como-lidar A fase da adolescĂȘncia Ă©, em geral, difĂcil de se lidar, porque o jovem estĂĄ na transição entre a infĂąncia e a idade adulta, testando seus limites e, consequentemente, os dos adultos tambĂ©m.
Muitos se tornam contestadores, querem experimentar situaçÔes novas, precisam saber do que sĂŁo capazes e atĂ© aonde conseguem chegar. Passam pela âonipotĂȘncia juvenilâ, ou seja, a fase onde acham que podem tudo e nada de ruim irĂĄ lhes acontecer: pode dirigir a 150km por hora que nĂŁo sofrerĂĄ acidente, pode transar sem camisinha que nĂŁo engravidarĂĄ nem pegarĂĄ DSTs, pode beber todas que nĂŁo entrarĂĄ em em coma alcoĂłlico... e assim por diante. PorĂ©m, sabemos que nĂŁo Ă© assim.
Os pais devem acolher os filhos com afeto sem deixar de colocar limites, que sĂŁo fundamentais. NĂŁo Ă© âbatendo de frenteâ com o filho que a situação irĂĄ melhorar, e aĂ acontece um dos erros mais comuns na criação dos filhos nessa fase de vida: altas brigas, onde cada um quer impor seu ponto de vista e ninguĂ©m ouve nem respeita o do outro.
Quando os pais não conseguem dialogar com os filhos, dando-lhes voz para que exponham seu lado (e acredite: podemos aprender com eles!), criam um cenårio de conflitos ininterruptos que cansam, desgastam, afastam os filhos e reforçam seu lado contestador.
DaĂ a palavra infeliz que se refere a eles como âaborrescentesâ, pois estĂŁo sempre causando brigas e tentando burlar regras impostas na casa, aborrecendo os pais.
Ă preciso ouvir, criar combinados que mudarĂŁo a cada situação especĂfica, entender que o cĂ©rebro desses adolescentes estĂĄ em pleno rebuliço, provocando neles comportamentos impulsivos que muitas vezes lhes fogem ao controle (literalmente o cĂ©rebro estĂĄ em formação, impulsos quĂmicos e descargas elĂ©tricas acontecem frequentemente nesse perĂodo de desenvolvimento), e manter o respeito no trato com ele. Afinal, o respeito deve vir de ambos os lados.
Quando isso acontece, em geral os filhos passam muito mais tranquilamente por essa fase, e logo entrarĂŁo na prĂłxima etapa da vida sem grandes traumas para a famĂlia.
Portanto, arrisco dizer aqui que os pais sĂŁo os grandes responsĂĄveis por como esse adolescente se desenvolverĂĄ, na grande maioria dos casos. Se forem pessoas maduras, bem trabalhadas emocionalmente, acolhedores e de bom senso, provavelmente saberĂŁo educar os filhos dando o suporte necessĂĄrio â exceção aos casos onde o adolescente possui algum distĂșrbio psiquiĂĄtrico que deve ser diagnosticado e tratado, pois caso contrĂĄrio, toda a boa vontade dos pais de nada adiantarĂĄ.
E mais uma dica: ler livros e artigos que falem sobre o tema e abordem tambĂ©m a influĂȘncia dos pais na resposta emocional dos filhos Ă© importante, pois alĂ©m de informaçÔes relevantes que serĂŁo adquiridas darĂĄ a eles mais instrumentos para aplicar no dia a dia, proporcionando-lhes mais segurança em seu papel de pais.