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Sexo é indispensável em uma relação amorosa ou é possível viver sem ele?

Publicado no portal UOL - VivaBem, 29.01.21

Por: Carol Firmino




Resumo da notícia

  • Melhora do sono e combate ao estresse são algumas das razões biológicas para ter uma vida sexual ativa

  • Mas há fatores que explicam a falta de libido, como a idade

  • No geral, quanto mais você faz sexo com alguém e mais fica perto dessa pessoa, mais oxitocina o corpo libera, reforçando os vínculos

  • Para que a libido seja ativada é necessário investimento no pensar em sexo e criar condições favoráveis para isso

Pesquisas no mundo todo apontam diversos caminhos para pensar o sexo: nacionalidade, gênero, faixa etária, tipo de vínculo. De fato, não há uma interpretação única a se fazer sobre o ato. No entanto, nos últimos anos, algumas conclusões têm sugerido um declínio da prática, algo como uma recessão sexual, entre as pessoas que estão em um relacionamento.


Segundo um estudo publicado em 2017, adultos americanos faziam sexo cerca de nove vezes menos por ano no início de 2010 em comparação com o final de 1990. Outro mais recente, de 2019, avaliou mais de 30 mil homens e mulheres na Grã-Bretanha e identificou que a frequência de sexo diminuiu entre aqueles que viviam juntos.


No final de 2020, análises sobre a atividade sexual durante a pandemia mostraram que brigas relacionadas à covid-19 funcionaram como um balde de água fria na intimidade dos casais.


Mas será que a frequência sexual pode ser parâmetro para caracterizar um relacionamento feliz? O sexo é indispensável em uma relação amorosa ou é possível viver sem ele e ainda assim manter uma convivência saudável? Esteja você sozinho, casado ou conhecendo alguém, essas perguntas já devem ter passado pela sua cabeça. Não importa o quanto falemos de sexo, ele ainda é um tabu para muita gente que, às vezes, passa a vida tentando entender que função ele tem nos relacionamentos.


Sintonia e intimidade

A designer J.N, 39, que teve um parceiro durante 10 anos e há pouco mais de quatro está solteira, acredita que o sexo é parte essencial de uma relação, por causa da intimidade que se adquire com a prática. "Eu acho indispensável criar essa proximidade, esse laço. Com o sexo, a gente acaba conhecendo a energia da pessoa, dividindo certas ideias na hora do ato sexual. Para mim, tem a ver com envolvimento, entrega, carinho e isso faz com que o relacionamento se fortaleça".


Entre as especialistas consultadas, é consenso que a atividade sexual é o que caracteriza o relacionamento de casal. Se duas pessoas se relacionam e não fazem sexo, essa dupla pode ser de companheiros, amigos, sócios, mas não um casal. Para a designer J.N, com o fim do casamento e a vivência de novas histórias, sua percepção sobre a importância do sexo é ainda maior: "Talvez eu não levasse tanto a sério pensar no que a outra pessoa gosta quanto levo hoje. Percebi que quando você se aprofunda nos gostos do outro sobre sexo é uma forma de aproximação".


Mas os estudos ainda não chegaram a um consenso sobre a relação entre sexo e felicidade. Um deles, realizado pela Universidade de Toronto, no Canadá, revelou que o ideal é transar uma vez por semana, mas que transar mais vezes do que isso não está relacionado, necessariamente, a uma percepção mais alta de felicidade.


Outra pesquisa, realizada na Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, concluiu que o ato sexual, sozinho, não é responsável por aumentar o nível de felicidade. A pesquisa foi feita com 128 casais heterossexuais, de idades entre 35 e 65 anos, que foram divididos em dois grupos aleatórios. Um deles não recebeu qualquer instrução quanto à quantidade de vezes que poderia ou deveria fazer sexo. Ao segundo grupo, no entanto, foi pedido que dobrasse a frequência de sempre.


Assim, o segundo grupo fez mais sexo do que o outro, no entanto, seus níveis de percepção de felicidade não foram mais altos comparados ao primeiro. Na verdade, até decaíram um pouco, levando os pesquisadores a acreditarem que a "obrigação" de transar o dobro de vezes pode ter roubado o desejo e a satisfação do casal.


Biologia do sexo

Melhora do sono, combate ao estresse e alívio de cólicas menstruais são apenas alguns dos motivos apontados pela ciência para ter uma vida sexual ativa. Conforme explica Lilian Fiorelli, ginecologista especialista em sexualidade feminina e uroginecologia pela USP (Universidade de São Paulo), além de influenciar na autoestima e no bem-estar pessoal, o sexo - fisicamente falando - libera alguns hormônios que contribuem para essa sensação. São eles dopamina, oxitocina, serotonina e endorfina, substâncias químicas produzidas pelo cérebro e essencialmente ligadas à estabilidade emocional, alívio de ansiedade e depressão, aumento da motivação.


"Se o sexo estiver presente no relacionamento, a tendência é não só unir mais o casal como proporcionar bem-estar a ambos", diz. A especialista afirma, porém, que nem todos os indivíduos necessitam da mesma frequência ou intensidade sexual - o que significa que duas pessoas podem estar juntas e terem necessidades diferentes quanto ao sexo. Dessa forma, o diálogo passa a ser ainda mais importante na dinâmica do casal, a fim de buscar um meio-termo satisfatório para ambos.


Sobre isso, Marina Vasconcellos, psicóloga, psicodramatista e terapeuta familiar pela PUCSP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), lembra que muitos casais optam por abrir o relacionamento para que haja atividade sexual com outras pessoas, mas sem envolvimento afetivo. Para ela, porém, em algum momento, esse é um acordo que tende a ruir, já que, quanto mais você faz sexo com alguém e mais fica perto dessa pessoa - depois do orgasmo, por exemplo - , mais oxitocina o corpo libera, reforçando os vínculos. Então, neste caso, o que ela indica é: "Se não quiser se apaixonar ou se relacionar emocionalmente, faça e saia de perto".


Mais idade, menos vontade?

A libido ou desejo sexual é o começo de tudo. No entanto, para que a energia libidinal seja ativada é necessário um investimento no pensar em sexo e criar condições favoráveis para isso. Por mais que o corpo mude e sofra com os impactos do tempo - nas mulheres, a menopausa prejudica a produção de estrógeno, diminuindo a lubrificação vaginal, enquanto no homem a qualidade da ereção começa a ser um problema após os 45 anos - , ainda é possível resgatar essa vontade.


"As estratégias que sugiro são cuidar do ambiente do quarto do casal, pois a visão é um sentido muito importante para estimular a libido. Uma boa música, o cheiro do ambiente e degustar alimentos estimulantes do romantismo também são importantíssimos para manter a frequência sexual", diz Wanicleide Leite, ginecologista e obstetra, terapeuta de casais e da sexualidade, e autora do livro Ser Plena: Conquiste o Sucesso na Carreira, nas Finanças e no Sexo, publicado pela Literare Books International.


Além de cuidar desse estímulo erótico no relacionamento, também é necessário desmistificar a ideia de que a mulher se interessa menos por sexo. O que acontece é que o desejo sexual delas pode ser mais impactado que o deles, pois considera aspectos como sintomas pré-menstruais, normas sociais, culturais e outros. Não só isso, a expressão da sexualidade feminina está associada a uma série de repressões históricas, o que faz com que, muitas vezes, a intimidade se torne fator significativo para que mulheres consigam se manter sexualmente ativas.


Segundo Leite, o conceito de sexo vai além de uma relação com penetração. "Tudo que for comunicado com erotismo, com sedução, com romantismo, conserva paixão. Essa frequência deve ser constante, independentemente do lugar e das circunstâncias".



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Marina Vasconcellos

Psicologia - Perdizes, São Paulo/SP
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