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Relacionamento Abusivo, tóxico...

Há diferenças entre termos que Mayra Cardi usa?

Publicado em UOL/ Universa, 29.06.20

Por: Nathália Geraldo



Três vídeos de pouco mais de dez minutos, dois feitos pela influenciadora e empresária Mayra Cardi e um pelo ator Arthur Aguiar, projetaram nas redes sociais os temas relacionamento abusivo, relacionamento tóxico e traição entre casais. Os dois terminaram o casamento em maio e tem uma filha, Sophia.


Mayra acusou o ex de traição e de ter sido abusador enquanto eles se relacionavam; no seu vídeo, entre outros assuntos, o ator se defendeu das críticas admitiu traição e rebateu o uso da palavra “abusador”. “Eu nunca menosprezei ela, nunca bati, nunca gritei. Nunca impedi ela (sic) de fazer nada. Eu não fui esse cara para ela. Em relacionamentos existem erros e acertos, e sei que meus acertos não são de interesse de ninguém”. Os desentendimentos do ex-casal chegaram às redes e suscitaram dúvidas. O que configura um relacionamento abusivo? O fato de uma das partes envolvidas trair com outras pessoas já se enquadra nesse comportamento?


Relacionamento abusivo: o que configura?

O vídeo publicado neste domingo (28) por Mayra Cardi no Instagram leva o título “Relacionamentos Tóxicos e Abusivo”. Na publicação, ela afirma que não é especialista no tema, mas que é “uma mulher que caiu muitas vezes nessa armadilha da vida” e que faz o depoimento para que mulheres como ela “possam entender como sair de um relacionamento como esse”.


A terapeuta de casais Marina Vasconcellos explica que há condutas que caracterizam esses tipos de relacionamento em que os envolvidos acabam machucados ou machucam ou fazem/são vítimas de abusos psicológicos. Pondera, no entanto, que “não dá para generalizar comportamentos humanos”.


Relacionamento abusivo: “Basicamente, o relacionamento abusivo tem a ver com a intenção de se colocar em controle, e envolve violências (física, psicológica, financeira, etc.). A pessoa vai seduzindo e a outra não percebe”, explica. Ter acesso às senhas de celular, criticar as escolhas de roupa, interferir e impor mudanças na vida do outro, entre outras atitudes, podem ser interpretadas como abusivas. É comum que esses relacionamentos estejam imersos em ciclos, de tensão, crise e, então, “lua de mel”


Relacionamento tóxico: “Já a relação tóxica é aquela em que não se tem equilíbrio e, mais, um precisa fazer o outro se sentir mal para ficar bem. Então, a pessoa humilha a outra — é a chamada ‘relação vampiresca'”. Além da toxicidade entre casais, é comum a presença de chefes, amigos e familiares tóxicos.


Abuso psicológico

Em qualquer caso, diz Marina, pode haver o abuso psicológico. É ele que, de fato, coloca quem o sofre em um lugar de vítima e, entre outros fatores, pode dificultar um rompimento ou fim daquela relação desequilibrada. “Isso acontece se a mulher não tem a autoestima reforçada”, aponta.


A cultura do machismo e a concepção de que homens são mais fortes fisicamente, via regra, do que mulheres, reforçam um emaranhado de condições que expõem mais mulheres a relacionamentos abusivos e tóxicos. “É quando o homem é carinhoso, o sexo é maravilhoso, mas fica mandando mensagens toda hora, diz que ‘mulher dele’ não vai sair sozinha. Isso pode ser confundido com cuidado, mas a pessoa está podando a individualidade do outro”.

Mulheres abusivas também existem, analisa a terapeuta, mas em uma proporção muito menor. “São pessoas narcisistas ou psicopatas — que, em algum nível não têm a empatia pelo outro”.


Traição e “ser embuste” Brigar com o parceiro ou estar ao lado de quem não cumpre os acordos e compromissos estabelecidos pelos dois não são necessariamente elementos de um relacionamento abusivo (apesar de não ser saudável). “O relacionamento afetivo não é fácil; mas não é porque você briga que está em um abusivo; o que ressalto, entretanto, é que é preciso ter respeito”, analisa a terapeuta de casais.


Para a psicanalista Andrea Ladislau, a infidelidade pode levar a um ciclo nocivo para que o parceiro ou parceira intensifique o nível de atos de respeito; e isso se dá se a pessoa traída não estiver segura e aceitar o comportamento do outro, por exemplo, por medo de ficar sozinha, dependência do outro, carência, apego.

“Se a mulher sabe que ele tem amante e fica se culpando, ouve dele que só há traição porque ela ‘não dá conta’, e não consegue sair da relação, aí pode ser um relacionamento abusivo”, completa Vasconcellos.


Como sair de relacionamento não-saudável

Identificar as consequências negativas e o desequilíbrio que um relacionamento não-saudável pode acarretar para a vítima é uma das primeiras formas de enfrentá-lo.

É fundamental que quem é vítima de abuso psicológico dentro de um relacionamento busque ajuda externa: psicoterapia, ouvir a opinião de familiares e amigos e estratégias para fortalecer a autoestima são essenciais, principalmente para mulheres que são vítimas da violência e da discriminação de gênero.

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Marina Vasconcellos

Psicologia - Perdizes, São Paulo/SP
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