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Procrastinação não é preguiça; entenda o que isso significa

Publicado em uauness.com.br em 18.10.22 Por: Danielle Sanches


O famoso “amanhã eu faço” gera prazer momentâneo, mas, a longo prazo, acaba acumulando estresse e causando ansiedade. Bora dar adeus para a culpa que isso pode gerar?


A lista de tarefas do dia é longa, as atividades estão se acumulando, mas tudo o que você quer é se deitar no sofá e dormir? E quem nunca deixou um relatório para depois enquanto passeava nas redes sociais? Ou apenas se viu paralisado e precisou fazer qualquer outra coisa que não fosse o que você precisava entregar naquele momento?


Se você fez isso poucas vezes na vida, tudo bem; mas, se isso é uma rotina no seu dia a dia, talvez você seja um “procrastinador em série”. Procrastinar é justamente deixar para depois — e sabe Deus quando é isso — atividades que precisam ser feitas.


O problema é que, no longo prazo, esse tipo de atitude prejudica a vida, porque causa má impressão nas pessoas, atritos em relacionamentos e ainda aumenta os níveis de estresse e ansiedade.


Em outras palavras, o relatório que você deixou para depois, por exemplo, precisa ser entregue de qualquer jeito — e das duas, uma: ou vai ser feito na pressa ou será recebido com atraso. E nenhuma alternativa é boa para a sua carreira ou para você, já que uma demanda pode se tornar, em meio a essa ansiedade, muito mais difícil do que realmente é.


Mas vale aqui uma reflexão: durante muito tempo, associou-se procrastinação à preguiça — e isso não é verdade. “A procrastinação tem mais a ver com insegurança, o medo de enfrentar algo ou alguém e, por isso, vai se adiando a execução daquela tarefa”, afirma o psicólogo Yuri Busin, mestre e doutor em Neurociência do Comportamento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.


Isso significa que a procrastinação pode ser uma dificuldade de regulação emocional relacionada a sentimentos complexos que, às vezes, nem você mesmo sabe que existem. Vamos entender isso melhor?


Para começar: o que é procrastinar?

Como falamos, procrastinar é deixar algo que deve ser feito agora para depois. “É atrasar, adiar, deixar para depois o que precisa ou poderia ser feito agora”, afirma a psicóloga Marina Vasconcellos, especializada em psicodrama e terapia familiar. “É como se dissesse: ‘se eu posso fazer depois, por que vou fazer agora?’”, ela exemplifica. O ato de procrastinar, que fique claro, é consciente e não tem relação com imprevistos. Então, se você deixou de fazer algo porque teve uma urgência familiar ou precisou colocar outra prioridade na frente, não quer dizer que procrastinou. No entanto, se não teve nenhuma razão para deixar de fazer uma atividade que não seja a falta de vontade, aí sim, você procrastinou real oficial.


Por que procrastinamos?

Bom, existem inúmeras explicações para isso — e o quadro pode ser uma junção de todas ou não. Para começar, a procrastinação, como falamos, pode ser uma fuga por medo de enfrentar algo que não queremos ver naquele momento. “Pode ser uma questão mal resolvida com o chefe, cônjuge ou com algum familiar”, afirma Busin. Tem ainda quem só funcione sobre pressão e, por isso, deixe tudo para a última hora para ter um prazo bem delimitado. “É aquela pessoa que só se organiza no espaço e tempo quando está no limite”, afirma Vasconcellos. Outro perfil que procrastina muito é o perfeccionista, que sempre está delapidando “a obra de arte” e não consegue entregar nada no prazo porque nunca acha que está bom o suficiente (alô, insegurança). Por fim, a procrastinação ainda pode ser um sintoma de outros problemas, como transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), quando falta foco e organização de tarefas; e depressão, quando falta energia para realizar qualquer ação. Mas isso só pode ser avaliado por um psiquiatra, certo?


Qual é o papel da motivação nisso tudo?

Se você busca dicas para evitar a procrastinação, vai ver que uma das mais faladas é justamente “encontrar motivação” nas tarefas. E por que isso? Bem, tudo se explica por causa de um neurotransmissor chamado dopamina. Ele atua no cérebro no centro de recompensa. Sabe quando comemos um doce gostoso? Quando falamos “eu mereço” e fazemos algo legal? É a dopamina regulando nossos sentimentos de realização e bem-estar. Pois bem, acontece que algumas atividades liberam mais dopamina, como já exemplificado. Mas ninguém tem “chuva” dessa substância ao preencher um relatório chato ou fazer uma DR da qual não estamos nem um pouco a fim. “Em geral, procrastinamos as tarefas que consideramos chatas e liberam pouca dopamina”, afirma a psicóloga Vanessa Sapiro, que atua no setor de envelhecimento e de psicologia breve do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). “Já aquelas que nos dão motivação, que consideramos agradáveis, são mais fáceis porque temos esse incentivo”, ela explica.


Mudando os hábitos

Procrastinar não é legal porque prejudica diversas esferas da vida. Assim, se você acha que está com dificuldades para lidar com a questão, o primeiro passo é buscar a ajuda de um psicólogo para entender qual é o problema que o impede de realizar suas tarefas sem procrastinar. Mas existem também algumas medidas que podem ajudar você a entrar nos eixos e organizar a rotina para facilitar. Confira a seguir.

  • Organize a agenda um dia antes com todas as tarefas que precisam ser feitas. Tenha prazos claros e realistas para cada uma delas e, se precisar, anote o que pode acontecer caso exista um atraso.

  • Tenha metas e objetivos de carreira, de vida etc. claros.

  • Anote os propósitos de fazer o que precisa ser feito em um lugar em que possa sempre reler.

  • Faça uma autoanálise: por que está enrolando para executar algo? Quais são os gatilhos? Quais são as emoções que você sente quando decide deixar algo para depois?

  • Ao identificar os gatilhos, mantenha-se atento para quando eles aparecem de novo e peça ajuda ao psicólogo para ter ferramentas para driblar isso.

  • Se uma tarefa é muito difícil de ser realizada, tornando-se tediosa, “quebre-a” em tarefas menores que sejam realizadas de forma rápida. Dessa forma, você vai ter um reforço positivo de sempre estar concluindo algo, e o projeto não ficará estacionado (e se ficar, deixa a culpa de lado e bora tentar de novo, combinado?).

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