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Pornografia faz mal? 5 efeitos do vício no cérebro

Publicado no site Minha Vida, 22.12.21 Por: Thaynara Moreira


Graças à difusão da internet, imagens e vídeos explícitos estão agora a apenas alguns toques de distância. E de todos os desejos que a web alimenta, o interesse por pornografia é de longe um dos mais lucrativos e explorados.


Mais do que um simples entretenimento adulto, a pornografia entra no hall de prazeres imediatos e vai muito além de apenas querer ver conteúdos de nudez, especialmente quando tal prática se torna cada vez mais diária e constante.


Com uma conexão profunda com os produtos químicos em nosso cérebro, os efeitos da pornografia no nosso sistema podem ser mais complexos do que você imagina.


Pornografia faz mal?

Muitas pessoas, tanto homens quanto mulheres, consomem pornografia em seus tempos livres. Isso não significa que todos esses indivíduos são compulsivos por conteúdos sexuais.


Conforme explica Lilian Fiorelli, médica ginecologista e especialista em Sexualidade Feminina e Uroginecologia pela USP, é preciso saber dosar qual é o limite do saudável.

"A pornografia pode ser usada como estímulo sexual, como quando, por exemplo, uma pessoa teve um dia cansativo e está afim de relaxar, sentir prazer, e usa o conteúdo como um estímulo inicial", tranquiliza a médica.


Dessa forma, assim como qualquer outro vicio ou abuso, a pornografia passa a fazer mal quando se torna uma constante ou um escape - e quando tal hábito passa a afetar várias esferas da vida dessa pessoa.


Entenda as impressões da pornografia no cérebro e quando o consumo excessivo de conteúdo adulto pode ser prejudicial para a saúde mental.


1. Prazer imediato

Segundo a médica Lilian Fiorelli, a pornografia está intrisecamente ligada à dopamina. Isso porque esse tipo de conteúdo ativa uma área do cérebro que é a do prazer imediato, assim como algumas drogas, como a maconha e a cocaína


A dopamina é uma substância química intimamente ligada ao prazer e à felicidade, e está associada com o centro de recompensa de nosso cérebro, o que a torna essencial no comportamento motivado por recompensas.


Dessa forma, quando algo é saboroso ou agradável, a dopamina é liberada, o que nos encoraja a buscar essa ação novamente. E é aí que pode morar o risco.


2. Problemas na memória e disciplina

Por estar associada à dopamina, que por sua vez é ligada ao centro de recompensa, o consumo exagerado de conteúdo sexual pode impactar no sistema de recompensa do cérebro.


Segundo um estudo realizado pela Universidade de Duisburg-Essen, e publicado no periódico Journal of Sex Research, após o envolvimento contínuo com pornografia, algumas pessoas relataram problemas como falta de sono e esquecimento de compromissos.


Além disso, de acordo com outra pesquisa, publicada também pelo Journal of Sex Research, assistir pornografia também pode fazer com que as pessoas valorizem recompensas imediatas - e quanto mais tempo se tem que esperar para recebê-las, menos valiosa ela se torna.


3. Impacto na performance sexual

O vício em pornografia envolve muito mais do que apenas querer ver vídeos e fotos de nudez e pode afetar diversas áreas da vida de uma pessoa, inclusive a sexual.


De acordo com Marina Vasconcellos, psicóloga psicodramatista e terapeuta familiar pela PUC-SP, nesse consumo exacerbado, muitas vezes a pessoa passa a não conseguir mais ter relações sexuais sem o estímulo da pornografia. Então o indivíduo passa a precisar desse estímulo para ter prazer.


Apesar de não ter uma idade específica para desenvolver essa dependência, o assunto pode ser ainda mais delicado quando se trata do período de descoberta e despertar sexual.

"Quando se está iniciando uma vida sexual, já iniciar pela pornografia e ficar viciado é péssimo, porque você vai passar a achar que isso é o modelo correto de relação sexual", esclarece a psicóloga.


4. Transtornos psiquiátricos

Alguns estudos correlacionam a exposição a materiais sexualmente explícitos com transtornos psiquiátricos, como ansiedade social e depressão.

"O vicio em pornografia é uma compulsão e, às vezes, até mesmo uma fuga da realidade, fuga de uma depressão ou de uma ansiedade. Geralmente, tem muita relação com transtornos psiquiátricos, como qualquer outro tipo de abuso", explica a médica Lilian Fiorelli.


5. Relações sociais

Quando a pessoa passa a consumir pornografia imoderadamente, ela pode desenvolver uma compulsão que é capaz de afetar suas relações interpessoais.


Isso porque a pessoa passa a se limitar de suas atividades sociais - e às vezes até laborais -, para ficar consumindo tais conteúdos.


Lilian Fiorelli explica que o vício influencia no trabalho, onde já não se consegue mais focar nas atividades, bem como nas relações interpessoais, uma vez que a pessoa começa a ter uma tendência em se isolar cada vez mais e mais.