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O preço do divórcio

Publicado no Portal Mais de 50 em 25.06.10

Casar custa caro. Separar, mais ainda. E, para evitar o acerto de contas, há quem prefira manter as aparências. E existem mais casamentos de conveniência do que se imagina, dizem terapeutas de casal e de família. Quando o dinheiro entra em discussão, muita gente finge que deixa as desavenças de lado e que a convivência é possível. Os danos emocionais, no entanto, podem ir além dos materiais, alertam especialistas. E quem mais perde são as mulheres.


A taxa de divórcios no Brasil só aumenta. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os divórcios concedidos chegaram a 179.342 em 2007. Mas, apesar das estatísticas, ainda tem muito casal que reluta na hora de pedir a separação, mesmo quando o casamento não vai bem.


Para a terapeuta de casal Marina Vasconcellos, a dependência financeira ainda é uma das principais causas. “A questão financeira, muitas vezes, impede separações que deveriam acontecer. Os 50 anos coincidem com o momento de vida onde as pessoas estão se questionando sobre tudo o que fizeram e o que ainda pretendem fazer. Mas o medo de enfrentar a nova situação financeira que exigirá adequações à nova realidade faz com que muitos permaneçam numa situação mais segura e confortável”, afirma ela.


Nascidas em uma época em que o homem era o provedor da casa, responsável pelo sustento de toda família, muitas mulheres, hoje com mais de 50, abdicaram de suas realizações pessoais e profissionais em troca de um casamento estável. Para elas, a situação pode ser bem mais complicada.


“Aquelas que abdicaram da profissão, hoje, lutam por sua independência, mas muitas não conseguirão começar do zero a partir de agora. Bom seria se elas começassem a cuidar-se mais e desenvolvessem uma maneira de ganhar dinheiro para pensarem numa separação, preparando-se antes para isso. O fim do matrimônio pode ser o desabrochar de uma nova vida, para algumas, mesmo com algumas dificuldades. Tudo depende do modo como encaramos a vida e o que pretendemos fazer como ela”, aconselha a terapeuta.


A dependência econômica entre um casal, de fato, pode custar caro para ambos. Mas quando o assunto é bem resolvido entre os parceiros e ainda existe carinho e amor, o dinheiro acaba ficando em segundo plano. Caso contrário, problema podem surgir.


“Ninguém deve permanecer casado porque é sustentado pelo outro, mas sim porque quer estar ao lado dele, e tem projetos em comum. Mas se o marido ou a esposa sente-se “usado (a)” ou “explorado (a)” por alguém que não ajuda nas despesas da casa, deixando de valorizar e admirar a (o) parceiro que está ao seu lado, aí temos um grande problema. O lado emocional do dependente fica completamente abalado”, afirma Vasconcellos.


Maior do que a preocupação com o bolso deve ser a atenção ao casamento. Conversar sobre os pontos negativos, manter o respeito e o carinho e, principalmente, amar o outro pode ser bem mais valioso para o relacionamento.


“O diálogo é sempre a melhor saída. Sem ele, tudo fica mais difícil. Para aqueles que dependem financeiramente do parceiro, aproveitem para fazer cursos, aprenderem um trabalho novo ou retomarem a formação abandonada, para que um dia, independentemente de virem a se separar ou não, possam ganhar seu próprio dinheiro e se tornem pessoas mais produtivas e menos dependentes, donas do próprio nariz”, finaliza a terapeuta.

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Marina Vasconcellos

Psicologia - Perdizes, São Paulo/SP
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