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Como Simone e Simaria: como lidar com conflitos de trabalho em família?

Publicado no portal UOL/Universa, 18.06.22

Na quinta-feira (16), a cantora Simone Mendes subiu ao palco, pela primeira vez, sem Simaria, no dia do aniversário da irmã. Na última semana, as redes sociais e o noticiário têm comentado o conflito entre as irmãs e cantoras Simone e Simaria, que levou à pausa da carreira da dupla sertaneja. "Confesso para vocês que para mim é muito ruim estar aqui sem ela. Por mais que talvez eu tenha exagerado no cuidado. Porque irmão cuida, irmão ama, irmão protege", afirmou Simone no evento.


Psicólogas ouvidas por Universa comentaram que relações trabalhistas que envolvem familiares podem intensificar alguns conflitos pela intimidade que se tem quando os parceiros também são parentes. Esses conflitos, dizem, podem gerar falta de comunicação, falta de confiança, rivalidade e confusão de papéis, já que há uma dificuldade em separar o profissional do pessoal.


O anúncio da saída de Simaria aconteceu em meio a rumores sobre desentendimentos entre as duas, desde maio, com alguns casos públicos e farpas em entrevistas. "A gente venceu junto. Mas não significa que se você venceu junto tem que morrer como duplinha pra sempre", disse Simaria.


A psicóloga Fabiana Lima afirma que, para aprender a lidar com situações de conflito, é importante que os familiares envolvidos tenham uma conversa franca. "É importante construir uma comunicação acessível e flexível para todos, pois a intimidade adquirida na relação familiar nem sempre ajuda no ambiente de trabalho."


A psicóloga Fabiana Lima afirma que, para aprender a lidar com situações de conflito, é importante que os familiares envolvidos tenham uma conversa franca. "É importante construir uma comunicação acessível e flexível para todos, pois a intimidade adquirida na relação familiar nem sempre ajuda no ambiente de trabalho."


Ela afirma também que cargos e funções devem ser esclarecidos tanto para os familiares, quanto para o restante dos colaboradores. "Por ter uma convivência prolongada, a relação pessoal e profissional deve ser separada, no trabalho não se fala de assuntos familiares e em família não se fala de assuntos de trabalho. Entender que cada situação deve ter uma hora certa", diz a especialista.


Traumas familiares podem afetar relação de trabalho


Uma das possíveis razões para que os conflitos surjam são questões afetivas não trabalhadas. "Por isso, é importante compreender mutuamente os sentimentos que aparecem nessa relação — como raiva, competição, ressentimento, sobrecarga —- e a forma que estes afetam o dia a dia para que a relação profissional flua paralelamente a relação pessoal."


A psicóloga Marcia Neumann, especialista em psicoterapia clínica, afirma que os conflitos aparecem porque já não há mais uma força na relação suficiente, que seja interesse comum, para superar os empecilhos que estão acontecendo.


"E, quando a gente tem negócios misturados com as relações de trabalho, o outro conhece muito bem as suas características seus pontos fortes e fracos e acabam usando isso na relação, afirma. A intimidade também pode ser um problema por que ela atrapalha os limites. "Existe a possibilidade de atacar de uma forma muito mais forte do que uma relação exclusivamente do trabalho onde a gente está mais protegido pela distância de uma relação que não é familiar."


Se diálogo não adianta, busque um mediador

Uma boa forma de lidar com isso, diz a profissional, é o diálogo. Quando ele não é possível, uma boa saída pode ser ter um mediador neutro para facilitar negociações. "Uma equipe de advogados ou mesmo um mediador de conflito que é uma profissão e uma intervenção em um caso em que não há mais escuta das partes", diz Márcia.


É o que também afirma a terapeuta familiar e de casal Marina Vasconcellos, psicóloga pela PUC-SP. Segundo ela, as terapias vinculares são uma boa opção para quem tem que lidar com um problema semelhante ao da dupla. "Esse tipo de terapia, um atendimento semelhante a uma terapia de casal, trata do vínculo daquela relação, onde as pessoas envolvidas podem conversam sobre o que está acontecendo e decidem se essa relação deve continuar ou não, sem estremecer a relação fraterna ou parental que existe."


Para antecipar brigas em sociedades familiares, diz Marina, é necessário separar contextos, quando é a irmã ou a sócia que está falando, no caso da dupla sertaneja. "É preciso esclarecer as relações que estão ali, tem que ter contrato como e quanto, por exemplo, cada parte vai receber. Nada pode depender só da confiança", diz.