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Amar é sofrer?

Publicado no portal Yahoo/Vida e Estilo, 20.05.21 Por: Thamires Andrade

Em entrevista para a revista "Elle", Bruna Marquezine, 25, chamou a atenção ao falar sobre sua relação com o namorado, o empresário Enzo Celulari, 24, filho de Cláudia Raia e Edson Celulari. A atriz contou que chegou a confundir a tranquilidade da relação com tédio e que se empenhou na terapia para entender mais sobre o relacionamento.


“Foram muitas sessões de terapia pra me acostumar com a paz de ter um relacionamento tranquilo. Às vezes, eu confundia isso com quase um tédio. Ficava em um estado de alerta. E aí? O que tá por vir? Não tem alguma coisa errada? Não está faltando um sentimento?”, afirmou à revista.


Essa inquietude, de acordo com as psicólogas ouvidas pelo Yahoo!, está relacionada não só com os relacionamentos amorosos anteriores, mas também pelo ambiente familiar que acaba facilitando o desenvolvimento de alguns padrões inconscientes.


“Se a pessoa cresce em um ambiente conflituoso, que vê muitas brigas dos pais e etc., de forma inconsciente, ela acaba reproduzindo esses padrões e começa a buscar por relações amorosas que também tenham esses conflitos”, explica Marina Vasconcellos, psicóloga, psicodramatista e terapeuta familiar.


Ainda que o caso de Bruna não esteja necessariamente correlacionado com a família, ela também comentou à "Elle" que sempre apreciou as reviravoltas e intensidade nos relacionamentos amorosos. O que faz vir a mente o mais recente ex-namorado da atriz, o jogador Neymar Jr. O casal ficou famoso pelo namoro cheio de idas e vindas.


Com Enzo, a atriz celebrou a nova fase e viver um amor que desconstrói a ideia de que tem que ser pelo conflito. "É muito potente viver dentro de um relacionamento de respeito, de admiração, de tranquilidade", finalizou.


Amar não é sofrer

Após a publicação da matéria com Marquezine, as falas da atriz repercutiram no Twitter e muitas mulheres também perceberam o quanto condicionavam o amor ao sofrimento. De acordo com Gabriela Malzyner, psicóloga, psicanalista e professora de psicanálise, amar não é sofrer e caso a relação esteja infligindo sofrimento é preciso repensar os modelos de afeto do relacionamento.


Vasconcellos explica que uma relação amorosa tem que ser pautada na parceria e harmonia e um precisa tirar o melhor do outro. “É importante se sentir bem estando ao lado dessa pessoa, além de ter apoio do companheiro, ser elogiado, receber força e apoio. Se for o contrário disso, uma pessoa que está sempre provocando, colocando o outro para baixo, isso não é um relacionamento saudável e precisa ser revisto”, afirma.


Um outro aspecto importante nos relacionamentos saudáveis e tranquilos é a existência de um diálogo aberto e honesto, já que uma relação não é imune a conflitos, mas a importância é como o casal consegue resolvê-los. “As diferenças sempre vão existir, mas é preciso resolver com respeito, sem discussão, sem voz elevada. Em uma relação saudável, há espaço para ambos falarem o que pensam. Não precisa brigar ou entrar em discussões calorosas para resolver as questões é possível conversar de forma madura sem grandes conflitos”, explica Marina.


Terapia pode ajudar?

Bruna Marquezine contou que buscou apoio nas sessões de terapia “para se acostumar com a paz de ter um relacionamento tranquilo”. Na visão de Malzyner, a terapia pode ajudar a responder algumas perguntas que devem ser feitas em qualquer relacionamento. “É preciso entender como se formam os vínculos que você tem com o parceiro, a forma de afeto, o que move o desejo e como você se satisfaz. São perguntas importantes para entender mais sobre si e sobre o relacionamento”, afirma.


“Na terapia, você vai se conhecer, entender a quais são os padrões de funcionamento da própria família e etc. As sessões são um processo de autoconhecimento que te ajudam a entender por que que você funciona de determinada maneira”, complementa Vasconcellos.

Com autoconhecimento, você pode alinhar as expectativas do que espera em uma relação amorosa, além de ter a consciência de que não é saudável jogar no outro a responsabilidade de te satisfazer.


"Sou contra essa coisa de metade da laranja. Ninguém tem que achar a metade de nada. Você tem que ser uma pessoa inteira e se relacionar com o outro inteiro

- diz a psicóloga


"Se você não se conhece direito, não sabe o que esperar do outro, a terapia vai te ajudar a se fortalecer pelo autoconhecimento e você vai conseguir escolher qual a relação mais saudável para seguir”, finaliza a terapeuta familiar.